Em muitas organizações, existe uma certeza quase automática: “nós conhecemos nossos processos e sabemos que eles estão bem definidos”. Contudo, basta olhar com mais atenção para a operação do dia a dia para perceber certos descompassos, como prazos que estouram, retrabalho recorrente, exceções que viram regra e decisões tomadas pelo sentimento do momento. É justamente nesse espaço entre o processo idealizado e o processo real que surge o conceito de Process Mining.
Mais do que uma tendência, essa metodologia vem ganhando espaço por um motivo simples: ela ajuda as empresas a entenderem como seus processos operam na prática, com base em dados objetivos, e não apenas em percepções ou suposições.
Sendo assim, ao longo deste conteúdo exploramos o que é Process Mining, como ele funciona na prática e de que forma pode ser aplicado em diferentes contextos corporativos para apoiar decisões mais conscientes. Junte-se a essa leitura com a gente!
Neste conteúdo, você vai ver:
- O que é Process Mining?
- Como o Process Mining funciona?
- Por que essa abordagem é tão poderosa e quais seus principais benefícios?
- Quando faz sentido aplicar Process Mining — e para quem ele gera mais valor
- Process Mining vs. Mapeamento tradicional de processos
- Process Mining e BPM: visão real + desenho estruturado
- Organizar processos pode ser simples com a Agidesk!
O que é Process Mining?
Process Mining, ou mineração de processos, é uma metodologia que utiliza dados reais gerados pelos sistemas corporativos para reconstruir, analisar e aprimorar processos de negócio a partir da execução real da operação.
Para isso, a análise se baseia nos chamados event logs — registros que indicam quando uma atividade ocorreu, quem a executou e em qual sistema. Essas informações são geradas continuamente ao longo do tempo e ficam armazenadas em sistemas como ERPs, CRMs, ferramentas de atendimento, sistemas financeiros, entre outros.
Ao consolidar e correlacionar esses registros, o Process Mining transforma dados operacionais dispersos em uma representação estruturada do processo, permitindo:
- Reconstruir automaticamente o fluxo real do processo;
- Mostrar todas as variações existentes;
- Identificar gargalos, desvios e retrabalho;
- Evidenciar onde o processo se distancia do que foi planejado.
Sendo assim, em poucas palavras, o Process Mining responde a uma pergunta essencial para qualquer organização: “Como esse processo acontece de verdade?”
Com esse entendimento, o próximo passo é avançar para o funcionamento da metodologia e descobrir como esses dados são convertidos em análises práticas.
Como o Process Mining funciona?
Apesar de, à primeira vista, o Process Mining parecer uma tecnologia complexa, seu funcionamento segue uma lógica objetiva, baseada em quatro etapas principais bem definidas. Veja só:
Coleta dos dados
O ponto de partida é a extração dos dados diretamente dos sistemas utilizados no dia a dia da operação. Esses sistemas registram automaticamente informações como qual atividade foi executada, quando ocorreu, quem foi o responsável e em que ordem as etapas aconteceram, com cada registro representando um evento real do processo.
Aqui, diferentemente de levantamentos manuais, não há interpretação ou opinião pessoal: os dados refletem o histórico das execuções exatamente como ocorreram. Por isso, a qualidade e a consistência das informações coletadas são tão exatas e determinantes para o valor da análise.
Reconstrução do processo
Com os dados estruturados, a ferramenta de Process Mining organiza os eventos em sequência, reconstruindo automaticamente o fluxo de cada trabalho executado. Nesse momento, o processo deixa de ser uma abstração e passa a ser visualizado com base em evidências.
A metodologia identifica:
- a ordem das atividades;
- os caminhos mais frequentes;
- as variações menos comuns;
- os pontos de retorno e retrabalho.
Tudo, sem a necessidade de entrevistas, reuniões ou workshops iniciais, uma vez que o fluxo emerge dos dados, revelando como o processo funciona de verdade, inclusive com suas exceções e desvios.
Análise das variações e dificuldades
Ao final, observando o processo tal qual ele é, fica claro que raramente existe um único caminho linear. O que aparece são múltiplas variações, causadas por exceções, decisões manuais, falhas de integração ou regras pouco claras.
Nessa etapa, a metodologia permite identificar obstáculos que aumentam o tempo total do processo, situações onde as demandas ficam paradas, retrabalhos recorrentes, desvios de SLA e caminhos que geram mais custo ou risco — insights que dificilmente surgem em mapeamentos tradicionais, justamente porque estão escondidos no volume de dados do dia a dia.
Geração de insights acionáveis
Ao final da análise, o valor do Process Mining não está apenas na visualização do processo, mas nos insights acionáveis gerados a partir dela.
Com as devidas evidências levantadas, torna-se possível priorizar melhorias com maior impacto e redefinir novas regras e fluxos. Deste modo, ao invés de atuar por tentativa e erro, a empresa passa a tomar decisões fundamentadas em fatos, aumentando, portanto, sua previsibilidade operacional.
Por que essa abordagem é tão poderosa e quais seus principais benefícios?
Como vimos acima, o grande diferencial do Process Mining é que o processo não é imposto nem interpretado, mas sim, surge diretamente dos dados — o que significa lidar com a realidade como ela é, e não como gostaríamos que fosse.
Ao aceitar essa realidade, com todas as suas imperfeições, a organização cria uma base muito mais sólida para sustentar automações e fortalecer a governança operacional.
Assim sendo, entre seus principais benefícios da metodologia, destacam-se:
- Visibilidade dos processos: a metodologia permite enxergar o fluxo ponta a ponta, inclusive as variações que normalmente passam despercebidas;
- Identificação de gargalos e retrabalho: é possível descobrir exatamente onde o processo trava, quanto tempo é perdido e quais atividades geram mais reprocessamento;
- Redução de custos operacionais: ao eliminar desperdícios, exceções desnecessárias e caminhos ineficientes, os custos tendem a cair de forma consistente.
- Melhoria de SLAs e prazos: com dados concretos, fica mais fácil entender atrasos, redefinir metas e atuar de forma preventiva.
- Base sólida para automação: o Process Mining ajuda a responder uma pergunta crítica: o que realmente vale a pena automatizar?
- Apoio à governança e compliance: desvios de fluxo, etapas puladas e riscos operacionais ficam visíveis, facilitando controles e auditorias.
Quando faz sentido aplicar Process Mining — e para quem ele gera mais valor
O Process Mining passa a gerar mais valor à medida que os processos ganham complexidade, em momentos em que há um aumento considerável no volume de transações, etapas e sistemas envolvidos — um cenário que costuma vir acompanhado de dificuldades recorrentes no cumprimento de SLAs, com prazos estourando sem uma causa clara e problemas escondidos em tempos de espera, aprovações redundantes ou desvios acumulados, além da perda de visibilidade sobre a execução.
Por isso, o Process Mining se encaixa de forma natural em iniciativas de automação e transformação digital. Afinal, antes de automatizar ou redesenhar fluxos, entender como o processo funciona evita o risco de apenas acelerar ineficiências existentes.
Esse contexto é especialmente comum em Centros de Serviços Compartilhados e áreas transacionais, mas não se limita a grandes organizações. Empresas de médio porte, especialmente em fases de crescimento ou revisão operacional, também se beneficiam da metodologia. Isso porque, o Process Mining não se trata de uma questão de tamanho, mas sim, de uma resposta à complexidade operacional.
Process Mining vs. Mapeamento tradicional de processos
É comum surgir a dúvida: Process Mining substitui o mapeamento de processos tradicionais?
A resposta curta é: não.
A resposta correta é: eles se complementam.
Enquanto o mapeamento tradicional representa o processo como ele deveria funcionar, geralmente com base em discussões e métodos de pesquisa, o Process Mining mostra como ele acontece a partir de grandes volumes de dados reais.
Logo, enquanto o mapeamento ajuda a criar entendimento e alinhamento, o Process Mining traz evidências objetivas para validar, ajustar ou até questionar os fluxos de trabalho definidos. Juntos, permitem alinhar desenho e execução com mais precisão.
Process Mining e BPM: visão real + desenho estruturado
Se o Process Mining permite enxergar os processos, ele também evidencia um ponto importante: entender a realidade é apenas o primeiro passo. Aqui, consequentemente, para evoluir a maturidade dos processos, é necessário estruturá-los, redesenhá-los e sustentá-los ao longo do tempo — e é nesse ponto que o BPM (Business Process Management) entra como complemento natural.
Este é outro caso onde as abordagens não competem, mas se fortalecem, com o Process Mining mostrando onde o processo falha, se desvia ou perde eficiência e o BPM ajudando a responder como ele pode ser reorganizado, padronizado e sustentado de forma consistente.
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Organizar processos pode ser simples com a Agidesk!
Processos não melhoram por opinião, mas quando são compreendidos, analisados e ajustados com base em evidências.
É exatamente essa lógica que sustenta o Process Mining — e que também está no centro da Agidesk. Ao transformar dados operacionais em visibilidade real, nossa plataforma ajuda sua empresa a centralizar e enxergar como os processos acontecem de verdade, identificando problemas e ajudando você e toda sua equipe a tomar decisões mais seguras sobre integrações, automações, SLAs e governança.
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Porque conhecer o processo é importante, mas ter uma plataforma que transforma esse conhecimento em ação faz toda a diferença.
